quinta-feira, 5 de abril de 2012

Quinta-Feira Santa


 

Tarde de Abril, ó quinta‑feira santa!
Que bem se está, meu Deus, neste silencio
Em que repousa o Teu sepulcro... As velas
Ardem caladas a rezar baixinho
Mistérios de presença.. Os goivos brancos
Rezam perfumes de saudade eterna
Adormecida no Calvário mudo
De lírios orvalhados de Teu pranto!...
Que paz, meu Deus, que paz, longe do Mundo
Longe de seus tumultos a caminhos
Neste calado oásis de agonia!...
Enquanto as velas morrem lentamente
E vão tombando as pétalas cansadas
Quais mariposas brancas que se afastam . . .
Para onde vão, meu Deus, para onde vão?...
Longe do Mundo, em linda madrugada
Pelos balseiros, frescas ramarias,
Na sinfonia etérea de mil fontes
Cantam os melros matinais gorjeios
Que a brisa leva em ondas odorantes
Pelos eternos roseirais da Vida!...
 
É lá, meu Deus, que as flor's já nunca morrem
E na água cristalina das correntes
Do Teu eterno Amor os nossos membros
Bebem a fresca juventude eterna!. ..
É lá, meu Deus, é lá, longe do Mundo
Que a Madrugada é sempre madrugada,
E o Dia é sempre dia, e a Noite é noite
No eterno suceder sem fim nem tempo
Das horas imortais do Paraíso...
É lá, meu Deus, é lá que é madrugada
Enquanto a noite tomba aqui no mundo...
 
Tarde a morrer de quinta-feira santa...
Meu Deus, eu compreendo... A vida, a vida
Que é mais do que esperar essa ventura
De que são sombra essas venturas mortas
Que o mundo abraça em ânsias de viver?!...
Tarde a morrer... Meu Deus, eu compreendo
Esse Calvário oculto de mil almas
Que no silêncio ermo dos conventos
Velam de noite a dia o Teu altar.
Lírios de amor em ânsias de infinito
São lâmpadas votivas que se apagam
Na longa espera desse eterno Dia...
Ó Poesia santa de infinito,
Ó versos de silêncio em paz gemidos
Nas ressequidas aras deste Mundo!...
 
Chorai, rezai, sofrei, almas queridas.
Vosso Calvário, ó lírios de inocência,
Abre em rosais de refrescante aroma
P'ra vós a p'ra milhar's de outros irmãos
Além da escura noite desta vida
A madrugada eterna de ventura! . . .
 
Tarde de Abril... ó quinta-feira Santa!...
Já vai caindo a noite. . . Ao longe. . . ao longe
Num mundo novo em matinais triunfos
Do Eterno Amor desperta a Madrugada!!

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