terça-feira, 12 de abril de 2011

BOLAS DE SABÃO



Passava o dia inteiro,
Menino travesso e arteiro,
Correndo pelo terreiro,
Sendo seu companheiro
Um forte e belo cão,
Atrás das bolas de sabão.

Transparentes como seu olhar,
Explodiam ao chegar ao chão
Ou com a patada do cão
As bolas irisadas de sabão
Que emocionavam o menino
Da alma ao coração.

Sonhava acordado.
As bolas subindo, subindo...
Às vezes ficava pensativo.
Quem sabe pedia a Deus
Que nunca findasse a distração
De espalhar pelo ar
As irisadas bolas de sabão.

E como num sonho, de repente,
O menino, homem agora,
Já não corria com seu cão.
Viu, de si, evaporada a infância.
Contava moedas, vida dura,
Mas chorava de emoção
Ao ver um menino e um cão
Correndo atrás de bolas de sabão.


Maria Hilda de J. Alão

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