A folha cai
e seca vai
deitar-se aos pés
de quem a deixou partir.
Ou pode ir,
com a brisa outonal,
forrar o chão de vizinho quintal.
Há quem, nelas, veja apenas sujeira.
Há quem veja uma beleza rasteira.
Eu as vejo e vejo a vida se mover.
Belas, vão formando o quadro-estação,
amarelecendo aos raios de sol.
Há os que passam por elas e nada sentem.
Há os que a pisam e nada ouvem.
Sinto e ouço a vida que segue sem parar.
Sábias que são, elas olham para cima,
para a velha casa, agora de copa exposta
e sentem vontade de voltar.
Cairam para aprender, aprimorar
mas sabem que o chão não é o seu lugar.
E após tocarem o solo fecundo,
experimentarem o calor do mundo,
humildes, se decompõem
e regressam ao lar,
aos galhos desnudos a esperar.
Galhos que as acolhem e estancam o cinza
para então se alegrar
com as folhas verdinhas
outra vez, a vicejar.
E ainda há quem não repare
nos ciclos, nas estações.
Há quem não enxergue
degraus, escadas, evoluções.
Naturais transformações.
Ainda há quem não pense na perfeição
e na divindade das criações.
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